domingo, 19 de setembro de 2010

Redes de informação

A própria definição de informação é problemática e variada (Numberg, 1996): processamento de sinal, percepção sensorial, dados gerados por indivíduos ou grupos, conhecimento, cultura, bens intelectuais que podem ser negociados no mercado de capitais, enfim, apesar de estarmos começando a viver esta 'Era da Informação', a palavra parece já bastante desgastada. A informação, segundo Levy (1993), sempre esteve associada com alguma tecnologia, que ele chama de "tecnologias de inteligência". As tecnologias da informação oral - nas sociedades primitivas, de escrita - nas sociedades agrícolas e, posteriormente, industriais utiizaram diversas mídias para garantir a longividade, portabilidade e legibilidade da informação.

Como bem sabemos, pedra, papiro, pergamaminho e linho foram os principais suportes para a escrita artesanal e, após Gutenberg, linho e polpa de madeira para a industrial. O telégrafo e as máquinas a vapor, no século XIX, sinalizaram as primeiras mudanças na quantidade e velocidade de distribuição da informação. O microprocessador eletrônico, em vez do vapor ou da eletricidade, é que atualmente administra a velocidade e o fluxo da informação. Esta diferença não é insignificante porque, se estes últimos aplicavam-se a bens, serviços e pessoas, o microprocessador e seus circuítos integrados digerem informação e permitem visualizá-la, movê-la, editá-la de forma e velocidade sem precedeentes.

A informação que nos interessa nesta palestra é a informação eletrônica digital. Esta ênfase é importante porque nos últimos 30 ou 40 anos temos lidado com informação eletrônica analógica, como o sinal da televisão, mas que não possue a característica essencial da informação eletrônica digital: a codificação binária, que permite integrar e manipular de modo inédito as mídias mais diversas.

As redes de informação tem sido frequentemente chamadas de 'a auto-estrada da informação' ou 'Infovias'. Tofler e Dyson (1994) chamam a atenção para o fato de que a metáfora errada nos tem sido imposta e não por acaso. O conceito de rodovia, de estrada, implica em duas direções apenas (de ida e volta), em pedágio, em propriedade particular, em usuários. Já a metáfora de 'ciberespaço', em contrapartida, implica num espaço multidirecional, livre, isto é, sem proprietário, coletivamente construído e livremente compartilhado. A informação em rede é interativa e universalmente acessível 24 horas por dia (Mandviwalla, 1994). Esta informação também é, na sua maioria, de natureza hipertextual. A relação entre hipertexto está entrelaçada com a evolução das interfaces e das formas de interatividade, razão pela qual um pouco deve ser falado também sobre estas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário